A segurança no trânsito continua sendo um dos grandes desafios da sociedade brasileira. A cada ano, milhares de vidas são impactadas por sinistros evitáveis e isso exige mais do que campanhas ou medidas isoladas. Exige estratégia, união e um esforço coletivo e contínuo.
Com base em estudos reconhecidos por especialistas, o pedagogo e instrutor Lucas Bavaresco, com mais de 24 anos de atuação, destaca os chamados “6 Es da segurança no trânsito” como um modelo claro e eficiente para orientar políticas públicas, estratégias educacionais e ações integradas no dia a dia de quem forma condutores.
O primeiro E é de Engenharia (Engineering). A infraestrutura tem papel vital na prevenção de sinistros. Ruas bem projetadas, sinalização eficaz, faixas de pedestres visíveis, lombadas bem-posicionadas e veículos com tecnologia embarcada são elementos que reduzem riscos e salvam vidas. A engenharia moderna não só facilita o tráfego, como antecipa e corrige falhas humanas.
O segundo E é de Educação (Education). A formação para o trânsito precisa começar cedo, se fortalecer nos CFCs e continuar ao longo da vida. Campanhas de conscientização, bons exemplos e conteúdos atualizados fazem parte dessa jornada. Quando se educa, não se apenas informa: se transforma o comportamento.
Em seguida, vem o Esforço Legal (Enforcement). A fiscalização, quando aplicada de forma justa e transparente, contribui para um ambiente mais previsível nas vias. O respeito às regras não pode ser uma escolha, é uma construção social que protege vidas. Registrar e documentar os sinistros também é fundamental para que possamos entender padrões, causas e, a partir disso, prevenir novos casos.
O quarto E é o do Engajamento (Engagement). Segurança no trânsito não é responsabilidade exclusiva do poder público. Ela precisa da adesão de toda a sociedade: escolas, famílias, empresas, autoridades, formadores de opinião, usuários. Quando todos compreendem o trânsito como espaço coletivo, surgem atitudes mais respeitosas e conscientes.
O quinto E é de Ambiente (Environment). O modo como os espaços urbanos são pensados influencia diretamente no comportamento das pessoas. Ambientes seguros com calçadas bem cuidadas, boa iluminação, ciclovias integradas que favorecem deslocamentos mais tranquilos e acessíveis. Uma cidade que convida ao cuidado estimula a segurança.
Por fim, o sexto E: Avaliação (Evaluation). O que não é medido, dificilmente será melhorado. Avaliar constantemente os dados de trânsito, os resultados das ações e os impactos das políticas públicas permite ajustes de rota e decisões mais inteligentes. Dados bem analisados geram melhores escolhas.
Ao adotar esses seis pilares como norte, conseguimos pensar o trânsito como ele realmente é: um espaço de convivência, de respeito e de responsabilidade compartilhada. Cada instrutor, cada gestor, cada cidadão tem um papel essencial. E ao fortalecer esses pilares, damos passos concretos para transformar o trânsito em um espaço mais seguro, humano e eficiente para todos.
Lucas Bavaresco
Pedagogo, consultor e especialista em formação de instrutores.
Autor do livro “Serei Instrutor, e agora?” e criador do método PIÁ (Plano Ideal de Aula).